Estava escrito que não ia prestar. Três horas antes do casamento da Cláudia e do Gustavo, o meu cunhado Luis Henrique bateu-me um fio para comunicar-me o seguinte:
- Comprei um
Cuesta Rey pra você.
Qualquer um que aprecia os charutos
cubaños sabe a honra que é receber esse presente. E essa gentileza que merece agradecimentos eternos foi retribuida de imediato, assim:
- Pra mim ou pra nós dois? - notem o meu interesse em não dividir o presente!
Ele respondeu:
- Eu comprei um pra mim e um só pra você!
Sorri satisfeito, agradeci e desliguei o telefone. Parti imediatamente para o mercado. De lá, liguei para o Luis, e disse, pra surpresa dele:
- Estou levando uma garrafa de
Logan pra gente beber na festa.
Ele pareceu lamber os beiços do outro lado da linha. Só conseguiu dizer:
- Caralho, esse whisky é bom pra caralho...
Ficamos uns vinte segundos na linha sem falar nada. Não sei. Talvez tenhamos falado qualquer coisa que não significou nada. Ele pensou um pouco e achando que eu pediria pra ele dividir o valor da garrafa comigo, ele disse:
- Não leva não, Diego! Esse whisky é muito caro e eu
tô na merda. Leva o "
Cavalo Branco" mesmo!
Cavalo Branco é como chamam o White Horse. Algo parecido com aquela cena do Perfume de Mulher em que o Al Pacino chama o Jack Daniels de "John Daniels". É só para os mais íntimos.
Depois da insistência do Luis Henrique, - quem o conhece sabe que ele impõe sua opinião no grito, delicado como um mamute - desliguei o telefone dizendo que levaria o Cavalo Branco. Era mentira.
Levei o Logan e, chegando na festa, sorri satisfeitíssimo com a bola dentro que encaçapei. O Cavalo Branco foi escolhido pela Cláudia e pelo Gustavo para ser servido, aos montes, na festa. Bebeu quem quis e quem não quis. Já eu, Luis e o primo Felipão fizemos uma mesa diferente.
O Felipão é um dos maiores intelectuais que eu conheço. Nos dois sentidos. Além de ter quase dois metros de altura, o que justifica seu apelido, o sujeito tem uma mente privilegiada. Marxista dos bons, é capaz de citar O Capital inteiro de tras pra frente. Tem um discurso político mais do que consistente e uma bagagem cultural imensa. Um troço, às vezes, tão assustador quanto seus cabelos muito grisalhos. Suspeito que ele ainda era lactante quando surgiram seus primeiros cabelos bancos.
E ficamos desfrutando do papo, sempre excelente quando essa roda se junta, e, é claro, o Cuesta Rey, excepcionalmente bem acompanhado pelo Logan. Enquanto ainda tive condições, consegui tirar essa fotografia ai embaixo. No fim da festa eu tive que sair de fininho por que o bicho pegou e eu fiquei meio mal. Como eu disse no ínício, não ia prestar. E não prestou.
Não sei o que foi mas acho que comi muito queijinho roquefort e esses acepipes franceses não me caem muito bem...

Abraços!