terça-feira, junho 17, 2008

QUEIMADAS NA FLORESTA DA TIJUCA

A expansão das favelas na cidade do Rio de Janeiro é fruto de um crescimento urbano totalmente desorientado pelo poder público e que regula-se ao sabor da especulação imobiliária comandada pelo grande capital, que impõe aos pobres a exclusão espacial em áreas periféricas.

Evitando o distanciamento extremo, a população opta por ocupar áreas ingremes da cidade, contribuindo para a expansão do desmatamento nessas encostas, o que além de agravar a situação ambiental urbana, tende a tornar aquele espaço uma área de risco propensa a desmoronamentos.

As imagens a seguir mostram o surgimento de uma favela no bairro da Tijuca, em uma encosta que está sendo desmatada através de queimadas cada vez mais frequentes. Observe.

[As linhas vermelhas demarcam a área ocupada pela favela. As linhas amarelas demarcam a área disponível para a expansão da favela]

Este vídeo mostra o momento em que ocorreu a última queimada, realizada no dia 15/06/2008.


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Lamentável.

segunda-feira, junho 16, 2008

SANTA CRUZ 10 X 1 ÍBIS

Foi no dia 16 de junho de 1991 que o Íbis tomou uma goleada histórica pelo campeonato pernambucano para o Santa Cruz. Dez a um. Rivaldo, aquele que viria a jogar na seleção brasileira anos depois, integrava o escrete que encarou o Íbis e guardou três gols na partida. O surpreendente é que o Íbis tenha conseguido fazer um gol. Foi de pênalti e, pasmem, o marcador não foi o Mauro Shampoo, maior craque da história gloriosa do clube mais vazado de todos os tempos.

Para ver o vídeo do baú do esporte noticiando a pelada, clique aqui .

Abraços!

SONS DE UM FIM DE TARDE NA TIJUCA

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domingo, junho 15, 2008

26 TRANSLAÇÕES

Não tenho quase nada de novo pra dizer além do que disse há um ano atrás. Apenas algumas ausências sentidas dos mais velhos que se foram, deixando um vazio imenso dentro do peito, mas que sabemos que é parte da vida. Então deixo as mesmas palavras ditas antes, agredecendo a todos que compartilharam momentos bons e ruins comigo nesses últimos meses.

-:-

Amadureci muito cedo aprendendo a ver a vida como ela realmente é, com suas mazelas, suas dores, delícias e cores. Sucessos e fracassos. Meus e os dos outros. Observo tudo o que me envolve. Ouço mais do que falo. Aprendi que é estúpido aquele que fala demais quando o certo é calar. Tímido, aprendi a me comunicar por imposição da profissão que escolhi. Descobri o amor e inúmeros de seus matizes aos 18 anos de idade, ao lado daquela com quem, hoje, divido os sucessos, fracassos, as mazelas, dores, delícias e cores que preenchem nossa vida. No singular, posto que nos tornamos um só.

Pais vigilantes e incansáveis na luta diária pela minha formação como ser humano de caráter honesto e senso de justiça social, aprendi a amar o Subúrbio onde nasci e cresci, sendo acompanhado e auxiliado de perto até conseguir alçar meus primeiros passos profissionais. Apoiado por toda a família, até mesmo a que me recebeu como irmão, filho, neto, sobrinho e primo, sigo hoje meus passos com mais segurança, mas sempre seguindo o sensato princípio, que norteia-me desde a mais tenra idade, de ver a vida sem ilusão.

Fã incondicional da gentileza, sempre me dei bem com as pessoas que não desprezam a cortesia nas relações pessoais. Aprendi o respeito em casa. Quando olho para as pessoas, procuro pensar que cada uma delas é a pessoa mais importante do mundo para alguém, e que, portanto, merecem meu profundo respeito. Não desconsidero ninguém, mesmo os que não simpatizam comigo. Tenho alguns amigos de verdade. Quem acha que tem muitos amigos não conhece uma verdadeira amizade. Mas tenho muitos camaradas, parceiros da antiga, parceiros novos e sou cercado de gente “boa praça”.

Jovem professor, o sucesso profissional me abraça a cada dia. Comecei com apenas uma turma de 16 alunos e hoje, dois anos depois, eles são mais de 400 espalhados em 12 turmas. Sinal de que o trabalho está dando certo. Mas o verdadeiro sinal do sucesso é o carinho dos alunos, o retorno daqueles que passam no vestibular, o sorriso dos “bem pequenos” quando chego para minhas aulas. Com eles, às vezes, eu aprendo mais do que ensino.

Com o amor, uma base familiar sólida, amigos, camaradas e trabalho, só me resta, hoje, quando completo 26 anos, agradecer e pedir aos Orixás, responsáveis por tudo o que sou, que me conservem a saúde para que eu possa continuar desfrutando de tudo isso enquanto a Terra executa muitas outras translações.

Oxalá abençoe!

sábado, junho 14, 2008

NEI LOPES RESPONDE A ALI KAMEL

O artigo abaixo foi escrito por Nei Lopes. Recebi-o por email com a seguinte mensagem:

Amigos, a propósito dos artigos de Ali Kamel e Martinho da Vila, ontem, no Globo, sobre BARACK OBAMA, acabo de enviar para o "maior jornal do país" o artigo abaixo, sobre o qual o editor me falou que vai publicar mas está "com problemas de espaço". Como já havia um outro lá, na fala, sobre "mestiçagem" que foi atroplelado, antecipo o texto pra vocês. Se gostarem, divulguem.
Abçs.
a) Nei

Segue o artigo na íntegra.


OBAMA, SUA ÉPOCA E O SONHO.
Nei Lopes
Contrariando expectativas que já duram mais de cem anos, no Brasil, “país com a maior população afro-descendente fora da África”, “negros e pardos vão superar o número de brancos neste ano” de 2008, conforme afirmações textuais do jornalista Ivan Martins, em reportagem publicada na edição do último 9 de junho da revista Época, publicação semanal da Editora Globo. As afirmações, acompanhadas da constatação de que o país “não tem um único político negro de projeção nacional”, vem a propósito da candidatura do senador Barack Obama à presidência dos Estados Unidos.

No momento em que o Congresso Nacional prepara a votação do Estatuto da Igualdade Racial e um grupo de intelectuais e artistas lidera a corrente contrária à aprovação do texto, colocando-se contra a “grave ameaça” de secessão da sociedade brasileira em “negros” (pretos e pardos) e “brancos” (louros e “morenos”), como se essa divisão, em termos de poder e capital, já não fosse a grande característica desta sociedade. Invocam, agora, esses arautos da “desracialização”, no calor da discussão sobre o problema social brasileiro, o suposto exemplo de Obama, o qual, em pura retórica de campanha, afirmou num discurso que “não existe uma América branca, uma negra, uma asiática, uma hispânica: e sim os Estados Unidos da América”. E os “desracializadores” invocam o candidato americano, nos apontando o dedo, como se dissessem: “Estão vendo? Ele não exibe a cor da pele como uma arma ou um escudo!”.

Para nós seria realmente ótimo se o Brasil fosse esse paraíso mestiço que os não-racialistas apregoam. Se além dos mulatos “no sentido lato”, como diz a canção, também aqueles no sentido estrito (com a indisfarçável fenotipia dos majoritariamente afro-descendentes), como o autor destas linhas se vê e considera, tivessem as possibilidades de poder e influência que tem o afro-americano Barack Obama. Mas esta, infelizmente, não é a nossa realidade.

Atrasados em pelo menos cinqüenta anos com relação às conquistas sociais do povo negro nos Estados Unidos, no Brasil, nós, herdeiros do mesmo brutal despojamento que plasmou a sociedade norte-americana (e do qual Obama, esclareça-se, não é vítima direta) vimos sendo, há mais de 120 anos forçados a acreditar que neste país “alegremente mestiço e desracializado”, nunca houve segregação nem ku-klux-klan, e que nossa inferioridade deve-se apenas a problemas econômicos e pode ser zerada com boas escolas e boas merendas para todos.

Mas aí, vem o jornalista Ivan Martins, da Época, e, depois de dar a palavra ao idealizador e diretor da paulista Universidade Zumbi dos Palmares, “gerida por negros, subsidiada e voltada para as classes mais pobres”, pergunta, na reportagem mencionada: “Quanto tempo, porém, será necessário para que se produza um líder como Obama no Brasil?”.

Enquanto isso não ocorre, meu amigo Martinho da Vila segue cantando seus belos sambas-enredo. Principalmente, o “Sonho de um sonho”, com que sua escola chegou em segundo lugar (empatada com mais duas) no disputado carnaval de 1980.

Nei Lopes é compositor e escritor, filiado à U.B.E.

segunda-feira, junho 09, 2008

PAPO DE SUBURBANO - O TAXISTA DESBOCADO

Seis e quarenta da manhã. Estou atrasado. Tenho vinte minutos para estar dentro de sala de aula, em Botafogo, falando sobre o modelo energético brasileiro para uma turma de cinqüenta alunos do segundo ano do ensino médio. Estico o braço na esquina da rua Uruguai com a Conde de Bonfim e um taxista pára, atendendo ao meu sinal.

Entro no carro. Ele ouvia uma fita cassete do Roberto Carlos, num volume que achei altíssimo pois eu era, ainda, naquele momento, um moribundo em sono profundo realizando um despertar absolutamente lento. O carro não conseguiu pegar o sinal daquela esquina aberto, então, tentando manter a calma e me fazer ouvir em meio aquele som de proporções sísmicas, expliquei o destino:

- Amigo, vou pra praia de Botafogo. Pode seguir em frente que a gente pega a rua dos Araújos e já sai na Conde de Bonfim em cima da Haddock Lobo. Depois é Santa Bárbara e Botafogo, pode ser?

Ele não respondeu absolutamente nada, parecendo inebriado pela obra do rei, ou pelo cheiro do seu desodorante de alfazema da Avon. Cruzamos a Conde de Bonfim e o homem resolveu abrir o verbo exibindo seus conhecimentos na arte do uso do vocabulário chulo. Nem bem viramos a esquina da rua Andrade Neves e ele solta uma:

- Porra, o café daquela padaria ali é bom pra caralho... Só tomo café ali... Todo dia... - falava apontando com o polegar direito pra trás por cima do ombro, indicando o local do estabelecimento.

Sem saber o que responder, disse apenas um atordoado:

- É...

Ele continuou:

- É, mesmo, "mermão"! Aquele filho da puta que fica atrás daquele balcão faz um café que... Caralho! "Mermão", é foda! Bom pra caralho. O cara é pica fazendo café! - ele dizia reticencioso.

Extraído à fórceps da minha sonolência pelo som do radio e pela ênfase com que o taxista glorificou o café da padaria, que fica na Uruguai, quase em frente à Andrade Neves, acabei murmurando qualquer coisa mais ou menos assim:

- É... De vez em quando eu tomo um café ali também. Mas só quando saio bem cedo...

Ele devolveu, num tom de polemista, me sacaneando e ao mesmo tempo parecendo estar quase irado:

- Porra, tu só pode "tá" de sacanagem! "Tá" de putaria com os meus cornos, garoto! - ele gritava, superando o som do rádio do carro.

E continuou:

- Eu sempre venho de longe pra caralho, lá da puta que o pariu onde o arrombado do Judas perdeu a porra das meias - porque as botas aquele viado perdeu muito antes -, saio quatro e meia da manhã pra ir tomar a porra do café ali. E tu, que mora numa distanciazinha dessa menor do que o meu pau, não vem tomar a caralha do teu café aqui, porra?

Sorriu, gozador e arrematou:

- Tu deve comer merda todo dia! Não é possível!...

Só então chegamos à rua dos Araújos - ainda na Tijuca - e eu já tinha a certeza colossal de que aquela seria uma corrida épica. Ele falava algumas merdas, que não registrei, quando interrompeu sua fala, pisou no freio de propósito pra esperar o sinal fechar, olhou pra trás e ficou esperando:

- Caralho, que cuzão, malandro! Olha só a rabaça daquela cabrita! Levava uma semana comendo o franzidinho daquela morena...

Só então entendi a razão daquele pé-no-freio inesperado. No entanto, muito mais inesperado do que qualquer bunda de dimensões maracanescas foi o início de uma sessão de confissões que o homem danou a fazer. Ele começou assim:

- Caralho, eu sou um filho da puta. Um filho da puta maiúsculo. Se eu tivesse dez mães, as dez seriam da zona.

- Como assim?

- "Mermão", eu minto pra caralho. Minha vida inteira é uma mentira atrás da outra... Eu tenho três mulheres. Nenhuma delas sabe da existência da outra. Tenho sete filhos. Três com a primeira que eu casei e dois com cada uma das outras duas. É filho pra caralho! Nenhum filho sabe dos outros irmãos.

- Caralho... - em meio a todos aqueles palavrões, até eu soltei o meu, incrédulo naquele depoimento. Eu estava estupefato diante da dantesca revelação.

- É foda! Arrumo desculpa o tempo todo. Chefiar três casas é uma pica grossa cravada no teu rabo com cerol e areia vinte e quatro horas por dia, malandro. De vez em quando eu tenho que aparecer em casa pra meter a broca nas xavascas e deixar as madames satisfieitas. Mas às vezes eu acho que sou corno. Corno das três. Qualquer dia vou achar um negão na minha cama descendo a madeira no cu de uma delas.

- É foda...

- Mas foda-se! Eu como puta pra caralho... Lá na Barra, no fim da noite elas querem ir pra casa de táxi sem pagar. Eu levo de graça mas vou devagarzinho enquanto elas vão chupando o meu pau. Algumas eu como no carro pagando barato, mas a maioria fica só no boquete mesmo. Faço isso pelo menos umas três vezes por semana. Essa porra vicia.

- E quando tu morrer, como é que vai ser com a família? - perguntei sem escrúpulo algum, percebendo que estava chegando perto do destino.

- Aí foda-se! Já morri mesmo!.. Pode escarrar e mijar na minha cara que eu não "tô" nem aí. Pode jogar no valão, deixar ser enterrado feito indigente... qualquer merda! Nessa hora o "sete barbas", o "coisa ruim" já vai estar perdendo o trono dele pra mim, lá no quinto dos infernos.

sexta-feira, junho 06, 2008

EU E O TRABALHO

Hoje é sexta-feira e o relógio acaba de marcar 13 horas e 2 minutos. Já estou esgotado, depois de ter dado seis exaustivos tempos de aula, de 7 da manhã até o meio dia e quinze minutos. E ainda tenho mais cinco tempos que se estenderão até as 20 horas e quinze minutos desta noite.

Nos trinta minutos de intervalo que tive, aproveitei apara estar entre amigos, em sala de aula. É, em sala. Trata-se de uma aula interdisciplinar com três professores em sala, que no caso de hoje eram os amigos Thiago Kiefer, de geografia; o Alan Miranda, de Português; e o Luiz Antônio Simas, de história. Fui pra assistir e acabei dando os meus pitacos, o que foi um prazer, por ser algo diferente estar com outros colegas em sala de aula.

Mas o cansaço bateu forte e eu resolvi dar um pulo em casa pra jogar uma água, comer alguma coisa e acabei aqui escrevendo essas linhas pra vocês. Mas o dia ainda é longo e há muito o que fazer. Então vou indo e deixo aqui o meu abraço!

terça-feira, junho 03, 2008

RUMO À GUERRA RELIGIOSA

As matrizes religiosas que chegaram ao Brasil cruzando o Atlântico em navios negreiros, e que já foram oficialmente perseguidas pelo poder público deste país em outros tempos, sofrem múltiplos preconceitos, de ordem social e racial, já que vieram através de escravos - que eram negros, diga-se de passagem - e de ordem religiosa, já que algumas de suas divindades são associadas ao demônio da tradição judaico-cristã. No país mais católico do planeta, nem sempre a convivência com as religiões afro-brasileiras foi pacífica.

No entanto a emergência de diversos cultos neopentecostais radicais no Brasil ampliou de forma visível e execrável a perseguição dos praticantes das religiões afro-brasileiras. Muitos dos fiéis dessas igrejas neopentecostais, movidos pela crença de que são valentes guerreiros de uma "cruzada contra o demônio", não temem agredir verbal ou fisicamente os fiéis de outros cultos, ou praticar gestos de violência e vandalismo como se viu no bairro do Catete, no Rio de Janeiro, na noite de 2 de junho de 2008.

Veja aqui o vídeo que noticiou a invasão. O pastor Tupirani, dirigente da igreja dos agressores, a Igreja Geração Jesus Cristo, julga-se um predestinado e afirma que os agressores são exemplo dentro de sua igreja, embora reprove o ato de seus seguidores. Leia aqui o texto em que ele conta a própria trajetória, segundo ele, traçada com a orientação direta do "Senhor". Aproveite e veja a categoria(sic!) do seu discurso neste vídeo em que ele agride descaradamente outra igreja neopentecostal radical.

Lamentável.