Certo dia de 2005, estava eu, em plena atividade profissional, quando dois alunos, um rapaz e uma mocinha, aproveitando o intervalo entre as aulas, aproximaram-se de mim. Estavam com um ar... uma expressão esquisita, séria... Pareciam dois mafiosos planejando friamente a minha morte.
Tremi. Eles chegaram bem perto. E, falando sem sorrisos e com profunda expectativa na face, o rapaz tomou a iniciativa de falar. Tocando levemente no meu braço, ele olhou fundo nos meus olhos e perguntou, ou melhor, disse:
"Professor, nós precisamos – e esse 'precisamos' denotava uma necessidade infinita – saber como se formam os furacões. O senhor pode explicar?"
Confesso que fiquei aliviado. Mas a tensão que passei não me permitiu reunir naquele momento os argumentos necessários para explicar toda a questão que envolve estas catástrofes atmosféricas, os ciclones, furacões e tufões. E eu gosto das explicações completinhas, minuciosas.
A pergunta deles foi movida pelo fenômeno do Katrina, que destruiu a cidade de Nova Orelans. No ano passado, li essa reportagem sobre um ciclone (Mônica – quase sempre eles têm nome de mulher) que atingiu a Austrália, muito mais forte que o Katrina, porém provocou uma destruição muito menor. Quase não foi noticiado.
"Superciclone castiga a Austrália".
Um ciclone tropical com ventos de 350 quilômetros por hora arrasou ontem (24/04/2006) a costa nordeste da Austrália. Mônica só não causou grandes prejuízos porque a região é pouco povoada. No entanto, causou surpresa entre especialistas devido à sua força extrema. O ciclone Mônica pode ser a mais violenta tempestade tropical registrada em qualquer oceano.
O Olho do furacão – considerado um dos mais perfeitos já observados por satélite – tocou o solo numa região coberta por pântanos e florestas, o que evitou conseqüências mais graves. Segundo meteorologistas do site StormTrack, pode ser a mais intensa tempestade tropical de que se tem registro, caso sejam confirmados os dados obtidos por satélite. Com uma pressão de 868,5 milibares, Mônica chegou a ser mais forte do que qualquer furacão do Atlântico ou tufão do Pacífico. Até agora a pressão mais baixa já registrada (quanto menor a pressão, maior a força da tempestade) era a medida no olho do tufão Tip, com 870 milibares.
Acessado em 25/04/2006.
Daí, senhores e senhoras, venho trazer aqui as respostas para algumas perguntas comuns quando se trata deste assunto. Podemos achar que é tudo igual – ciclone, furacão, tufões, mas não são. Eis as questões:
O que são Ciclones?
Ciclones são grandes massas de ar e vapor d’água que giram ao redor de uma área de baixa pressão atmosférica e sobre o oceano. Ciclones tropicais atuam em áreas de latitudes mais baixas, isto é, nos trópicos. Ciclones extratropicais atuam em latitudes mais altas.
Qual a diferença entre Ciclones, Furacões e Tufões?
Furacões e Tufões são Ciclones! Sendo que estes se locomovem numa velocidade superior a 100 quilômetros por hora. A diferença entre Furacões e Tufões é geográfica. Os ciclones que nascem no Oceano Atlântico são chamados de Furacões e os ciclones que nascem no Índico ou no Pacífico são chamados de Tufões.
Como se formam os Ciclones?
O surgimento mais comum de um ciclone é associado à presença de grande volume de ar seco que se desloca sobre o oceano tropical. Os exemplos clássicos são os furacões que atingem o Golfo do México, as ilhas da América Central e a costa dos Estados Unidos, como o Katrina.
O ar seco proveniente do Deserto do Saara é transportado pelos ventos alísios e durante o trajeto o ar seco absorve grande quantidade de água do mar que se evapora. O ar quente é mais leve e sobe junto com o vapor d’água. Quando se condensa (se liquefaz), o vapor libera calor e aquece o ar novamente, que sobe e torna os ventos quentes instáveis. Se a diferença entre a temperatura da superfície do oceano (quente) e das altas camadas atmosféricas (fria) for muito grande, a massa de ar ganha volume cada vez maior e adquire a forma de vórtice atmosférico, conhecida como furacão. O “olho” do ciclone fica na região central do fenômeno, possui poucos ventos, é quente, seco e de baixíssima pressão atmosférica (Lembrete: ventos sopram de alta pressão para baixa pressão). É no olho que a água evapora e aumenta o tamanho do ciclone, podendo o olho medir de oito quilômetros até duzentos quilômetros, o que torna fácil identifica-lo em imagens de satélites.
Qual é a escala utilizada para classificar os ciclones?
É a escala Saffir-Simpson, que varia de F1 a F5.
· F1 – Ventos entre 118 e 152 Km/h.
· F2 – Ventos entre 153 e 178 Km/h.
· F3 – Ventos de até 209 Km/h.
· F4 – Ventos de até 250 Km/h.
· F5 – Ventos superiores a 250 Km/h.
É isso aí, queridos.
Um abraço solidário!
Um espaço virtual que estará voltado, principalmente, para a Geografia, para a Cultura e, especialmente, para o que há de Brasileiro, Carioca e Suburbano!
sábado, janeiro 27, 2007
quarta-feira, janeiro 24, 2007
GEOGRAFIAS SUBURBANAS
Caríssimos,
Hoje eu tô na área pra justificar a troca do nome do blog. Faz tempo eu estava incomodado com o nome DiegoMoreiraGeo, que me parecia fruto de uma tremenda falta de criatividade da minha parte. Este é, inclusive, o nome que uso lá no orkut. E, vejamos que esta bosta serve pra alguma coisa.
Faz pouco tempo, acessei meus recados e encontro a seguinte mensagem enviada pelo Simas:
"Fala, garoto...linkei seu blog lá no Histórias. Agora, posso dar uma sugestão? Muda o nome. Bota alguma coisa mais literária. Diego Moreira Geo tá muito técnico. Homenageia o subúrbio, cacete. Abração!!"
Julguei estar, o Simas, coberto por espesso manto de racionalidade. Ele estava certo!
Respondi:
"Simão, você tem uma sensibilidade forte!
Confesso que estava incomodado com o nome do Blog.
Quero mudar mas ainda não pensei em nada...
Se tiveres uma sugestão em homenagem ao subúrbio, aceito e te nomeio padrinho do blog!
Abração!!"
Em breve tempo recebi a mensagem com o retorno esperado. Sente só a categoria:
"sugestões:
* Geografias do Subúrbio
* Antes da Saideira
* bem perto de Madureira
*Geografia da Curimba
* sambas de Irajá
* O Amigo do seu Zé... "
Cheguei a enviar uma mensagem dizendo que tinha simpatizado muito com o nome "Antes da Saideira". Mas hoje, enviei esta mensagem pedindo aprovação ao nome Geografias Suburbanas:
"Pensei em transformar sua sugestão "Geografias do Subúrbio" em Geografias Suburbanas. Aprovas?
Abraço!"
Rápido como a flecha de Oxossi e Brilhante como a Espada de Ogun ele me respondeu”:
"Beleza!"
Taí, então, queridos. De hoje em diante nosso papo de esquina será em volta das Geografias Suburbanas. Valeu, Simão. O padrinho do Blog!!
Um Abraço Solidário!
Hoje eu tô na área pra justificar a troca do nome do blog. Faz tempo eu estava incomodado com o nome DiegoMoreiraGeo, que me parecia fruto de uma tremenda falta de criatividade da minha parte. Este é, inclusive, o nome que uso lá no orkut. E, vejamos que esta bosta serve pra alguma coisa.
Faz pouco tempo, acessei meus recados e encontro a seguinte mensagem enviada pelo Simas:
"Fala, garoto...linkei seu blog lá no Histórias. Agora, posso dar uma sugestão? Muda o nome. Bota alguma coisa mais literária. Diego Moreira Geo tá muito técnico. Homenageia o subúrbio, cacete. Abração!!"
Julguei estar, o Simas, coberto por espesso manto de racionalidade. Ele estava certo!
Respondi:
"Simão, você tem uma sensibilidade forte!
Confesso que estava incomodado com o nome do Blog.
Quero mudar mas ainda não pensei em nada...
Se tiveres uma sugestão em homenagem ao subúrbio, aceito e te nomeio padrinho do blog!
Abração!!"
Em breve tempo recebi a mensagem com o retorno esperado. Sente só a categoria:
"sugestões:
* Geografias do Subúrbio
* Antes da Saideira
* bem perto de Madureira
*Geografia da Curimba
* sambas de Irajá
* O Amigo do seu Zé... "
Cheguei a enviar uma mensagem dizendo que tinha simpatizado muito com o nome "Antes da Saideira". Mas hoje, enviei esta mensagem pedindo aprovação ao nome Geografias Suburbanas:
"Pensei em transformar sua sugestão "Geografias do Subúrbio" em Geografias Suburbanas. Aprovas?
Abraço!"
Rápido como a flecha de Oxossi e Brilhante como a Espada de Ogun ele me respondeu”:
"Beleza!"
Taí, então, queridos. De hoje em diante nosso papo de esquina será em volta das Geografias Suburbanas. Valeu, Simão. O padrinho do Blog!!
Um Abraço Solidário!
segunda-feira, janeiro 22, 2007
VALEU, TIÃO!
Este vinte de janeiro de 2007 ficará marcado na minha memória pra sempre. Eis a razões:
Duas da tarde. Entro na Folha Seca e sou cumprimentado pelo Rodrigo Ferrari, o Digão da Folha Seca. Dou um abraço forte no Prata Querubim que não via desde o seu aniversário, ali mesmo, num samba histórico naquela esquina. Mal cheguei e, no cantinho do balcão, vejo uma figura, cerveja na mão, trajando algo que lembra uma bata africana em tons vermelho e preto, as cores do meu flamengo. Penso: será que é ele?
Minhas suspeitas ficaram mais fortes quando o Simas, acompanhado da Candinha, entrou empurrando a porta de vidro e o sujeito, que eu discretamente observava, disse a um amigo ao lado:
- Olha ele aí...
Concluí que tinha ficado mais fácil acertar. Mas não queria arriscar ir falar com o cara e, sem querer, dar com os burros n’água. Resolvi ficar no meu canto, sorvendo extasiado, aquela atmosfera inebriante da livraria.
Já do lado de fora vi chegar o Grande, Glorioso, Gigantesco, Monstruoso e Inenarrável Cláudio Falcão – meu mestre na profissão e personagem fundamental desta história – acompanhado da Ana Paula. O Cláudio trazia uma imagem de São Sebastião que deu de presente ao Digão pra que fosse posta no centro da mesa onde tocariam e cantariam os sambistas.
Logo depois pintou o amigo Alan, com quem passei boa parte do tempo trocando idéias sobre as matrizes religiosas afro-brasileiras, dentro da Folha Seca, que é muito rica em livros sobre o tema.
Simão passa do meu lado dizendo com expectativa nítida na face:
- Já vamos começar os trabalhos!
Pelo olhar dele, não entendi se ele dizia isso pra mim ou pra ele mesmo.
E começou o samba. Simas no cavaquinho, o Prata nas suas mágicas sete cordas, Alberto Mussa, que só vi quando já estava brincando de tamborim... E assim foi esquentando.
Claudão parou do meu lado. Resolvi não perder mais tempo e disse:
- Sabe que, faz tempo eu leio o “buteco do Edu”, e até hoje eu não conheço o cara?...
- Deixa que eu te apresento – ele me respondeu com tranqüilidade.
O Simas já tinha me prometido fazer tal apresentação num almoço no Rio-Brasília. Estávamos no Samba do Trabalhador quando acertamos que combinaríamos o dia. Não foi preciso. Eu estava lá, no samba de aniversário da Folha Seca e sabia que o Edu também estava. Só não sabia quem era, apesar da quase certeza que tive naquela cena dentro da livraria.
Aí vem o Claudão e me manda a seguinte letra... Vê se isso não é coisa de irmão:
- Faz o seguinte. Compra o livro do cara, aproveita o desconto que o Digão está dando pelo aniversário da livraria, que eu te apresento o Edu e tu ainda leva um autógrafo de quebra!
- Claro! Claro! – respondi, sem perda de tempo.
Aí ele completa:
- Se não tiver aí o "numerário", deixa que eu passo no meu cartão... – é ou não é coisa de irmão?
- Ta tranqüilo. Tô prevenido... – respondi.
Entrei na livraria, peguei o livro, que estava caprichosamente destacado numa mesa à esquerda da entrada e fui até o balcão onde fechei o negócio com o Digão. Com ele, peguei uma caneta emprestada para o autógrafo. E fui até o Cláudio que já caminhava em direção ao Edu, parado em frente ao bar do Mestre Santos.
Tapinha no ombro, Edu vira e Cláudio faz as apresentações.
Aperto forte de mão, e digo:
- Prazer, Diego Moreira.
- Ah, eu conheço ele da internet... ele também escreve... – Edu responde com cordialidade.
- Ele comprou o seu livro e queria um autógrafo... – diz o Cláudio.
- Ah, que beleza! Que beleza! Perai... só preciso de uma caneta.
- Eu tenho – disse.
Edu então entrou e, apoiado no, nada imaginário, balcão do bar do Santos, escreveu a dedicatória que transcrevo na íntegra.
- Pro Diego, com um abraço do tamanho da Tijuca, torcendo pra que você se sinta em casa!
Voltou do balcão com um sorriso no rosto. Eu, recebendo o livro, disse:
- Falei com o Simas e ficamos de marcar um almoço no Rio-Brasília. Vamos?
- Vamos! Você já foi lá, né? Eu li o que você escreveu no blog do Simas...
- Fui sim! Então, vamos marcar!
- Vamos. Depois me diz se gostou do livro, hein.
- Com certeza!
E nos despedimos.
Com um abraço no Cláudio e no Alan, fui embora cumprir minhas obrigações no dia de Oxóssi, deixando naquela esquina um pedaço do meu peito batendo na cadência do samba.
Assim que me vi livre e à vontade para o lazer, corri pra ler o livro que tinha comprado. Em pouco tempo me percebi refém de uma leitura deliciosa e envolvente. Acomodado no sofá da casa da minha mãe, onde costumo ficar depois das giras de sábado, fiquei muito tempo atraído irresistivelmente pelas histórias e personagens fascinantes de "Meu lar é o Botequim!". Ri tanto, mas tanto, de certas passagens, que cheguei a assustar minha mãe, que me olhava como quem nunca tinha me visto em tal estado de riso.
Fiquei completamente dominado pelo ambiente estético da obra. Via-me dentro do botequim em Vila Isabel. Se alguém acordasse – todos foram dormir e eu continuava lendo - e me dissesse - vai dormir senão vai acabar virando a noite!, provavelmente eu responderia: Foda-se a freira! – Não entendeu nada? Leia o livro do Edu.
À meia noite, na hora grande, meu avô levanta pra uma de suas urinadas sagradas no meio da noite – ele toma uns remédios de pressão que são diuréticos – me vê sentado no sofá e pergunta:
- Tá lendo a Bíblia?
Mal sabe ele o sentido profundo das palavras que ele acabara de proferir.
Sem titubear, respondi:
- É...
Fechei o livro e fiquei meditando sobre o que o meu avô – não sabia que ele era tão sensitivo – havia acabado de dizer.
Pra quem é carioca e aprecia o estilo de vida do "Ser Carioca", o livro do Edu é obrigatório. Uma bússola, a guiar garotos novos como eu e malandros da antiga como Aldir Blanc, sempre em direção à Zona Norte. Uma obra maravilhosa!
"Meu lar é o Botequim!" Histórias, palpites e feitiço sem fim, fala por si próprio.
Só me resta agradecer ao padroeiro por este dia incrível!
Valeu, Tião! Okê Arô!
Duas da tarde. Entro na Folha Seca e sou cumprimentado pelo Rodrigo Ferrari, o Digão da Folha Seca. Dou um abraço forte no Prata Querubim que não via desde o seu aniversário, ali mesmo, num samba histórico naquela esquina. Mal cheguei e, no cantinho do balcão, vejo uma figura, cerveja na mão, trajando algo que lembra uma bata africana em tons vermelho e preto, as cores do meu flamengo. Penso: será que é ele?
Minhas suspeitas ficaram mais fortes quando o Simas, acompanhado da Candinha, entrou empurrando a porta de vidro e o sujeito, que eu discretamente observava, disse a um amigo ao lado:
- Olha ele aí...
Concluí que tinha ficado mais fácil acertar. Mas não queria arriscar ir falar com o cara e, sem querer, dar com os burros n’água. Resolvi ficar no meu canto, sorvendo extasiado, aquela atmosfera inebriante da livraria.
Já do lado de fora vi chegar o Grande, Glorioso, Gigantesco, Monstruoso e Inenarrável Cláudio Falcão – meu mestre na profissão e personagem fundamental desta história – acompanhado da Ana Paula. O Cláudio trazia uma imagem de São Sebastião que deu de presente ao Digão pra que fosse posta no centro da mesa onde tocariam e cantariam os sambistas.
Logo depois pintou o amigo Alan, com quem passei boa parte do tempo trocando idéias sobre as matrizes religiosas afro-brasileiras, dentro da Folha Seca, que é muito rica em livros sobre o tema.
Simão passa do meu lado dizendo com expectativa nítida na face:
- Já vamos começar os trabalhos!
Pelo olhar dele, não entendi se ele dizia isso pra mim ou pra ele mesmo.
E começou o samba. Simas no cavaquinho, o Prata nas suas mágicas sete cordas, Alberto Mussa, que só vi quando já estava brincando de tamborim... E assim foi esquentando.
Claudão parou do meu lado. Resolvi não perder mais tempo e disse:
- Sabe que, faz tempo eu leio o “buteco do Edu”, e até hoje eu não conheço o cara?...
- Deixa que eu te apresento – ele me respondeu com tranqüilidade.
O Simas já tinha me prometido fazer tal apresentação num almoço no Rio-Brasília. Estávamos no Samba do Trabalhador quando acertamos que combinaríamos o dia. Não foi preciso. Eu estava lá, no samba de aniversário da Folha Seca e sabia que o Edu também estava. Só não sabia quem era, apesar da quase certeza que tive naquela cena dentro da livraria.
Aí vem o Claudão e me manda a seguinte letra... Vê se isso não é coisa de irmão:
- Faz o seguinte. Compra o livro do cara, aproveita o desconto que o Digão está dando pelo aniversário da livraria, que eu te apresento o Edu e tu ainda leva um autógrafo de quebra!
- Claro! Claro! – respondi, sem perda de tempo.
Aí ele completa:
- Se não tiver aí o "numerário", deixa que eu passo no meu cartão... – é ou não é coisa de irmão?
- Ta tranqüilo. Tô prevenido... – respondi.
Entrei na livraria, peguei o livro, que estava caprichosamente destacado numa mesa à esquerda da entrada e fui até o balcão onde fechei o negócio com o Digão. Com ele, peguei uma caneta emprestada para o autógrafo. E fui até o Cláudio que já caminhava em direção ao Edu, parado em frente ao bar do Mestre Santos.
Tapinha no ombro, Edu vira e Cláudio faz as apresentações.
Aperto forte de mão, e digo:
- Prazer, Diego Moreira.
- Ah, eu conheço ele da internet... ele também escreve... – Edu responde com cordialidade.
- Ele comprou o seu livro e queria um autógrafo... – diz o Cláudio.
- Ah, que beleza! Que beleza! Perai... só preciso de uma caneta.
- Eu tenho – disse.
Edu então entrou e, apoiado no, nada imaginário, balcão do bar do Santos, escreveu a dedicatória que transcrevo na íntegra.
- Pro Diego, com um abraço do tamanho da Tijuca, torcendo pra que você se sinta em casa!
Voltou do balcão com um sorriso no rosto. Eu, recebendo o livro, disse:
- Falei com o Simas e ficamos de marcar um almoço no Rio-Brasília. Vamos?
- Vamos! Você já foi lá, né? Eu li o que você escreveu no blog do Simas...
- Fui sim! Então, vamos marcar!
- Vamos. Depois me diz se gostou do livro, hein.
- Com certeza!
E nos despedimos.
Com um abraço no Cláudio e no Alan, fui embora cumprir minhas obrigações no dia de Oxóssi, deixando naquela esquina um pedaço do meu peito batendo na cadência do samba.
Assim que me vi livre e à vontade para o lazer, corri pra ler o livro que tinha comprado. Em pouco tempo me percebi refém de uma leitura deliciosa e envolvente. Acomodado no sofá da casa da minha mãe, onde costumo ficar depois das giras de sábado, fiquei muito tempo atraído irresistivelmente pelas histórias e personagens fascinantes de "Meu lar é o Botequim!". Ri tanto, mas tanto, de certas passagens, que cheguei a assustar minha mãe, que me olhava como quem nunca tinha me visto em tal estado de riso.
Fiquei completamente dominado pelo ambiente estético da obra. Via-me dentro do botequim em Vila Isabel. Se alguém acordasse – todos foram dormir e eu continuava lendo - e me dissesse - vai dormir senão vai acabar virando a noite!, provavelmente eu responderia: Foda-se a freira! – Não entendeu nada? Leia o livro do Edu.
À meia noite, na hora grande, meu avô levanta pra uma de suas urinadas sagradas no meio da noite – ele toma uns remédios de pressão que são diuréticos – me vê sentado no sofá e pergunta:
- Tá lendo a Bíblia?
Mal sabe ele o sentido profundo das palavras que ele acabara de proferir.
Sem titubear, respondi:
- É...
Fechei o livro e fiquei meditando sobre o que o meu avô – não sabia que ele era tão sensitivo – havia acabado de dizer.
Pra quem é carioca e aprecia o estilo de vida do "Ser Carioca", o livro do Edu é obrigatório. Uma bússola, a guiar garotos novos como eu e malandros da antiga como Aldir Blanc, sempre em direção à Zona Norte. Uma obra maravilhosa!
"Meu lar é o Botequim!" Histórias, palpites e feitiço sem fim, fala por si próprio.
Só me resta agradecer ao padroeiro por este dia incrível!
Valeu, Tião! Okê Arô!
segunda-feira, janeiro 15, 2007
DIAMANTE DE SANGUE
Domingo é um dia que dedico à família. Neste último, após o almoço, em família, é claro, eu e a "patroa", também conhecida pelas alcunhas de "digníssima", "senhora", ou a mais recente, "sub-gerência", fomos ao cinema ver o filme que deu título a este texto. Mantendo fidelidade litúrgica aos propósitos deste blog, venho tecer alguns comentários acerca da temática tratada por tal obra cinematográfica. Não é uma crítica especializada. Som, imagem, fotografia, direção e outros princípios da sétima arte não fazem parte das minhas preocupações. Quero passar minhas impressões sobre as idéias trabalhadas pelo filme.
O contexto é: Serra Leoa, continente africano. O país com o pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo. O ano é 1999 e o país está em guerra. A Frente Unida Revolucionária (FUR), constituída por guerrilheiros locais, pretende assumir o controle do território, dos recursos naturais e dissemina violência por todo o país. As tropas do governo também atuam violentamente, pois pretendem garantir para si o controle dos recursos naturais, especialmente o diamante, produto de alto valor comercial. E o número de mortos, feridos, mutilados e refugiados por conta do conflito é imensurável.
Eis, então, alguns apontamentos ordenados de acordo com a intensidade das impressões que me causaram.
O filme não apresenta uma visão preconceituosa na abordagem das questões. Ao contrário do que fez "O Jardineiro Fiel", que também trabalha problemas ligados ao continente africano, "Diamante de Sangue" não é uma clara visão européia ou norte-americana sobre o conflito.
Fica nítido que o objetivo da FUR consiste na ruptura dos laços deixados pela herança colonial que conectam as elites, detentoras do poder político local aos interesses de conglomerados empresariais europeus que sustentam os mecanismos de exploração das riquezas de Serra Leoa. Para atingir tal finalidade, o uso da violência é extremo.
O processo de exportação de diamantes contrabandeados sofre uma necropsia minuciosa. Serra Leoa, por ser zona de conflito, não podia exportar diamantes. Os contrabandistas, então, conduziam, utilizando táticas extremamente criativas, os diamantes para países vizinhos como a Libéria. Daí em diante, através da corrupção de alguns funcionários públicos, é claro, as preciosas pedras seguiam para os mercados internacionais com origem registrada em países que estão fora de zonas de conflito, portanto, aceitas abertamente pela comunidade internacional.
O contrabando de armas também não passa em branco. A figura dos Senhores da Guerra está presente no filme. Estes são homens que tiram o seu sustento da guerra, vendendo armas para os grupos envolvidos nos conflitos. Não possuem preferências políticas na escolha da clientela. O comprador pode ser o governo ou os rebelados. Tanto faz. Importa é que paguem bem. Num continente onde, dos 53 países, pelo menos dez estão envolvidos em algum tipo de guerra, mercado não falta para eles.
A maior parte das milícias rebeldes africanas, inclusive as de Serra Leoa, promove o recrutamento de crianças para atuação direta nos ataques armados. Garotos de dez a quinze anos são obrigados a praticar atrocidades para salvar as próprias vidas e, os que sobrevivem, acabam doutrinados e participando dos ideais das milícias. Está aí mais uma execrável situação retratada.
A ação dos Organismos Internacionais também é criticada. Homens trajando ternos milionários, reúnem-se em salas de convenção milionárias e assinam, com suas canetas igualmente milionárias, acordos diplomáticos que não promovem a resolução de problema algum. Não impedem o contrabando, não impedem a continuidade do conflito e não impedem a destruição de milhares de famílias forçadas a abandonar suas casas e viver, se sobreviverem, aglomerados aos milhões em campos de refugiados de paises próximos.
E aquilo que, pra mim, era indispensável, é mencionado em vários momentos durante o filme. A relação direta existente entre a guerra e o consumo de diamantes pela população de alto poder aquisitivo dos países centrais. A fascinação provocada pelas pedras conduz os consumidores a não refletirem sobre a origem dos diamantes. Que dirá pensar em quanta tragédia pode estar por trás da jóia rara desejada. Neste campo, a alusão ao mercado consumidor americano é direta e dura.
Bem provável é que receba indicações pra Hollywood, pois o filme é bem feito. Bem provável é, também, que não vença devido às críticas fortes que traz. Afinal, aquele povo de Hollywood gosta muito de um diamante bem lapidado e parece não se importar com a procedência das centenas de quilates que carregam em seus adornos.
Um abraço solidário!
O contexto é: Serra Leoa, continente africano. O país com o pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo. O ano é 1999 e o país está em guerra. A Frente Unida Revolucionária (FUR), constituída por guerrilheiros locais, pretende assumir o controle do território, dos recursos naturais e dissemina violência por todo o país. As tropas do governo também atuam violentamente, pois pretendem garantir para si o controle dos recursos naturais, especialmente o diamante, produto de alto valor comercial. E o número de mortos, feridos, mutilados e refugiados por conta do conflito é imensurável.
Eis, então, alguns apontamentos ordenados de acordo com a intensidade das impressões que me causaram.
O filme não apresenta uma visão preconceituosa na abordagem das questões. Ao contrário do que fez "O Jardineiro Fiel", que também trabalha problemas ligados ao continente africano, "Diamante de Sangue" não é uma clara visão européia ou norte-americana sobre o conflito.
Fica nítido que o objetivo da FUR consiste na ruptura dos laços deixados pela herança colonial que conectam as elites, detentoras do poder político local aos interesses de conglomerados empresariais europeus que sustentam os mecanismos de exploração das riquezas de Serra Leoa. Para atingir tal finalidade, o uso da violência é extremo.
O processo de exportação de diamantes contrabandeados sofre uma necropsia minuciosa. Serra Leoa, por ser zona de conflito, não podia exportar diamantes. Os contrabandistas, então, conduziam, utilizando táticas extremamente criativas, os diamantes para países vizinhos como a Libéria. Daí em diante, através da corrupção de alguns funcionários públicos, é claro, as preciosas pedras seguiam para os mercados internacionais com origem registrada em países que estão fora de zonas de conflito, portanto, aceitas abertamente pela comunidade internacional.
O contrabando de armas também não passa em branco. A figura dos Senhores da Guerra está presente no filme. Estes são homens que tiram o seu sustento da guerra, vendendo armas para os grupos envolvidos nos conflitos. Não possuem preferências políticas na escolha da clientela. O comprador pode ser o governo ou os rebelados. Tanto faz. Importa é que paguem bem. Num continente onde, dos 53 países, pelo menos dez estão envolvidos em algum tipo de guerra, mercado não falta para eles.
A maior parte das milícias rebeldes africanas, inclusive as de Serra Leoa, promove o recrutamento de crianças para atuação direta nos ataques armados. Garotos de dez a quinze anos são obrigados a praticar atrocidades para salvar as próprias vidas e, os que sobrevivem, acabam doutrinados e participando dos ideais das milícias. Está aí mais uma execrável situação retratada.
A ação dos Organismos Internacionais também é criticada. Homens trajando ternos milionários, reúnem-se em salas de convenção milionárias e assinam, com suas canetas igualmente milionárias, acordos diplomáticos que não promovem a resolução de problema algum. Não impedem o contrabando, não impedem a continuidade do conflito e não impedem a destruição de milhares de famílias forçadas a abandonar suas casas e viver, se sobreviverem, aglomerados aos milhões em campos de refugiados de paises próximos.
E aquilo que, pra mim, era indispensável, é mencionado em vários momentos durante o filme. A relação direta existente entre a guerra e o consumo de diamantes pela população de alto poder aquisitivo dos países centrais. A fascinação provocada pelas pedras conduz os consumidores a não refletirem sobre a origem dos diamantes. Que dirá pensar em quanta tragédia pode estar por trás da jóia rara desejada. Neste campo, a alusão ao mercado consumidor americano é direta e dura.
Bem provável é que receba indicações pra Hollywood, pois o filme é bem feito. Bem provável é, também, que não vença devido às críticas fortes que traz. Afinal, aquele povo de Hollywood gosta muito de um diamante bem lapidado e parece não se importar com a procedência das centenas de quilates que carregam em seus adornos.
Um abraço solidário!
quarta-feira, janeiro 10, 2007
CRIME SÓCIO-AMBIENTAL EM LOPES MENDES.
Meus caros,
Visitando uma das comunidades do Orkut, evento raro pra mim, deparei com um tópico sobre a incrível e maravilhosa Praia de Lopes Mendes, em Ilha Grande, Angra dos Reis/RJ. Quem já esteve lá, com certeza, guarda lembranças inesquecíveis. Eis o que foi colocado no tópico inicial:
Título: LOPES MENDES! IMPORTANTE!!!
"Galera, estive em Lopes dia 10 deste mês e fiquei muito triste em ver q já se encontram por lá 3 propriedades privadas ( em 2 vi placas da Imobiliária ). Pesquisando na Internet achei esse site, onde estão recolhendo "assinaturas on line" numa carta a ser enviada ao presidente. ASSINE AQUI!!
Seria interessante q quem tivesse mais informações a respeito postasse aqui!
Ajudem a divulgar!!!!
Beijocas!!!"
Este link, que visitei, pois o tópico continha várias mensagens de pessoas que assinaram, leva à petição que exige a desapropriação de qualquer propriedade privada naquele sítio e o retorno da praia à área do Parque da Ilha Grande e ao patrimônio público.
Como geógrafo consciente de minhas responsabilidades no campo do meio ambiente e do combate à segregação sócio-espacial, venho aqui divulgar este link pra que vocês visitem e deixem suas assinaturas.
Acreditem. Acabei de fazer isso e fui o assinante de número 266. É isso mesmo!! Só 266 pessoas até agora assinaram tal petição que será enviada ao Presidente Lula. É muito simples. Só escrever nome e e-mail. Número de identidade é opcional.
Conto com o apoio de todos os que passarem por aqui!!
Abraços Indignados, mas esperançosos!
Visitando uma das comunidades do Orkut, evento raro pra mim, deparei com um tópico sobre a incrível e maravilhosa Praia de Lopes Mendes, em Ilha Grande, Angra dos Reis/RJ. Quem já esteve lá, com certeza, guarda lembranças inesquecíveis. Eis o que foi colocado no tópico inicial:
Título: LOPES MENDES! IMPORTANTE!!!
"Galera, estive em Lopes dia 10 deste mês e fiquei muito triste em ver q já se encontram por lá 3 propriedades privadas ( em 2 vi placas da Imobiliária ). Pesquisando na Internet achei esse site, onde estão recolhendo "assinaturas on line" numa carta a ser enviada ao presidente. ASSINE AQUI!!
Seria interessante q quem tivesse mais informações a respeito postasse aqui!
Ajudem a divulgar!!!!
Beijocas!!!"
Este link, que visitei, pois o tópico continha várias mensagens de pessoas que assinaram, leva à petição que exige a desapropriação de qualquer propriedade privada naquele sítio e o retorno da praia à área do Parque da Ilha Grande e ao patrimônio público.
Como geógrafo consciente de minhas responsabilidades no campo do meio ambiente e do combate à segregação sócio-espacial, venho aqui divulgar este link pra que vocês visitem e deixem suas assinaturas.
Acreditem. Acabei de fazer isso e fui o assinante de número 266. É isso mesmo!! Só 266 pessoas até agora assinaram tal petição que será enviada ao Presidente Lula. É muito simples. Só escrever nome e e-mail. Número de identidade é opcional.
Conto com o apoio de todos os que passarem por aqui!!
Abraços Indignados, mas esperançosos!
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