Sexta-feira, Julho 03, 2009

NUMA BIROSCA IMUNDA DO ENGENHO DA RAINHA

A mudança do patrocinador do material esportivo do Flamengo me fez lembrar de um entreouvido imundo que presenciei enquanto assistia, pela televisão de um bar, a um jogo do Flamengo pelo brasileirão do ano passado.

O sucedido se deu no Engenho da Rainha, no coração do Sertão Carioca.

Saí da casa da minha digníssima genitora com o meu cunhado, Zé Eduardo, pra ver a pelada pela TV da birosca imunda. O dono do bar, que encarna com mérito a mais perfeita definição de chato, é tricolor e decidiu secar o Flamengo naquele jogo contra - quem? - o Botafogo, eu acho. Não me recordo agora.

Flamenguistas, e só, a postos nas mesas e cadeiras e a pelada começou. E o chato danou de falar. Passou o primeiro tempo inteiro bebendo no meio dos fregueses e falando da então possível, e hoje confirmada, substituição da Nike pela Olimpikus. Ele dizia idiotices como:

- O Flamengo vai descer! A Nike é a maior do mundo! O Flamengo vai perder a maior do mundo! O Flamengo vai descer!

Acabo de me lembrar. O jogo era contra o Botafogo e havia apenas um botafoguense no bar. Num quadro de giz imundo, que parecia estar imóvel ali há um século, o Bar anunciava:

Hoje!
Caldo de Piranha.
3,50.

Tentei não pensar que dia teria sido o "Hoje". Tinha a impressão de que eu nem era nascido em tal dia...

Algum freguês pediu uma cerveja e o chato foi lá dentro do bar salvar uma ampola da convivência com os ratos do congelador. Enquanto ele foi lá atrás pegar a cerveja, o botafoguense comentou:

- Esse caldo de piranha deve ser uma merda, hein?

Um outro caboclo, de saco cheio do chato, que tinha escolhido justamente ele para ser o "cristo", pra sofrer com a lorota da Nike, respondeu com uma pergunta:

- Você sabe como é feito esse caldo de piranha?

- Não - disse o botafoguense.

E o rubro-negro explicou:

- É simples. A mulher dele vai no banheiro, dá uma mijada no copo e ele serve a bebida quente pra você. Está pronto o caldo de piranha.

Quinta-feira, Julho 02, 2009

ENTERREM MICHAEL JACKSON!

Já faz uma semana, ou mais, sei lá, que o Michael Jackson morreu. É o destino de todos. Mas, em vez de enterrar o cabra, resolveram enfiar o sujeito no gelo. Depois de decidir - se é que não mudarão de ideia - onde será o velório, a família de Michael - se é que aquilo é familia - vai obrigá-lo a fazer sua última apresentação ao público antes de dá-lo aos vermes.

Não sei, não. Eu estou achando que o velho Joe Jackson, que não levou um tostão furado do testamento do filho prodígio, vai armar uma fila na porta da Terra do Nunca e cobrar uma fortuna prometendo ao público o último moonwalk do garoto. É só o que falta.

Sábado, Junho 20, 2009

RACISMO, PRECONCEITO E O APARTHEID

No ano de 2005 meu mano Claudio Falcão adquiriu no sebo de dois grandes amigos um livro indicado por eles sobre o infame regime do Apartheid. Ao venderem-lhe o livro eles alertaram-lhe quanto a existência de anotações do antigo dono ao longo da obra. O livro é bom, mas o que mais nos impressionou foram os comentários feitos pelo antigo dono, que revelou-se um resoluto racista pelo teor de suas anotações. Claudio mostreu-me o livro, e eu o estimulei a escrever sobre essa questão. Ele, então, convocou-me às canetas e o resultado é o texto que publicamos juntos agora.

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O apartheid: poder e falsificação histórica, é o título do livro escrito pela francesa Marianne Cornevin e editado pela Unesco em 1979. O livro conta o absurdo do apartheid, seu funcionamento e suas origens. Ao longo do texto a autora faz pesadas e fundamentadas criticas ao regime do que imperou na África do Sul até 1990. A obra reflete as criticas mundiais e o início do movimento internacional que levou ao fim deste regime execrável.

O antigo proprietário do livro comprado no sebo tinha um hábito, comum a muitas pessoas, de comentar as ideias expostas no texto original, criticar e argumentar com o autor em anotações no final das páginas.

O verme (vamos nos referir ao indivíduo sempre por este adjetivo) era, definitivamente, um imbecil, um preconceituoso e um defensor ardoroso da segregação racial. Certamente, uma mentalidade obtusa, encantada pelos pressupostos de teorias pseudo-científicas como o determinismo geográfico e o darwinismo social. Para provar isso vamos reproduzir alguns trechos do livro e os respectivos comentários feitos por ele.

O primeiro comentário, feito logo na capa do livro, é o seguinte:

Esta é uma obra absurda pelo contra-senso de seus argumentos pretendendo condenar os atos de um povo que conquistou seus direitos com o próprio sangue. Esta autora deve ser uma fanática comunista, ou uma liberal vendida aos interesses do comunismo internacional, que no momento luta para conquistar as riquezas do sul da África, usando a bandeira dos direitos humanos da negritude. Felizmente não passa de um sonho, um sonho tolo.

Na contra-capa o verme faz o seguinte comentário:

Sistema muito usado na leitura periódica da Enciclopédia Soviética - reescrever a história de acordo com os interesses do momento. Aliás já estão aplicando este sistema aqui no Brasil, na tentativa de reescrever nossa história, maculando a memória de nossos antepassados - tal como Domingo Jorge Velho - o vencedor da "república" dos Palmares. Ali ele liquidou a negrada que tentava se arvorar em fundadores de uma república negra. Que os brancos, orgulhosos de sua condição como tal, não se deixem engodar por tais idiotices.

No primeiro capitulo o livro mostra, através de dados e informações arqueológicas, o óbvio: que os negros ocupavam o sul da África muito antes dos brancos europeus chegarem. Na página 79 o verme faz o seguinte comentário:

Muito bem, admitamos que os negros tenham chegado primeiro. E dai? Os nossos índios também estavam aqui antes de nós, mas a terra foi ocupada pelos nossos antepassados brancos por direito de conquista. E quem vai contestar esse direito? O mesmo se aplica a África do Sul.

O verme desqualifica a autora com um comentário que só não omitimos para que todos tenham noção de como, verdadeiramente, trata-se de um estúpido. A besta-fera diz o seguinte:

Essa autora, como uma boa francesa, naturalmente, deve dormir com algum negro. As mulheres francesas tem dado ao mundo inúmeros exemplos desta tendência a deitar com negros, faz parte da sua mente devassa.

Na página 140, no último paragráfo a autora diz, com absoluta razão e quase profeticamente, o seguinte:

Os ventos da história mudaram desde Soweto. Os brancos deixaram de ser os senhores absolutos da história da África do Sul. Embora o poder governamental pareça assegurado por muitos anos, o negros já ergueram a cabeça. Afastaram o sentimento de inferioridade que constituia sua fraqueza. A pressão internacional apenas acelerará a sua emancipação inevitável.

Então o verme escreve o último comentário que publicaremos para não cansar os leitores, ou não provocar o vômito em outros:

Será mesmo? Isto é o que desejam, mas não o que será. E, então, ficará provado inexoravelmente a superioridade dos brancos sobre os negros. Não é número que conta, mas o valor, como sempre aconteceu os brancos sempre serão os vencedores. Esta autora é uma sonhadora (...) Os negros ergueram a cabeça? Pois é, ergueram para que seja mais fácil decepá-la. Os negros jamais conseguirão dominar a África do Sul. Os brancos da Rodésia eram somente 250000 e davam surras memoráveis nos negros, que eram 6 milhões. De uma vez, apenas 72 brancos atacaram 5000 negros e mataram 1200, tendo somente do seu lado 5 feridos. Agora, imaginemos 5 milhões de brancos, dispostos a tudo, contra 17 milhões de negros. Será ou não será uma sopa?

Para nossa felicidade, a história nos mostrou que o verme estava errado!!!!

Ao ler esses comentários, quisemos não acreditar no absurdo das suas idéias. Mas o que nos assustou, o que nos arrepiou, foi saber que o antigo dono (o verme), era um juiz aposentado, morador do bairro da Tijuca, no Rio de janeiro, sujeito de classe média alta. Por ocasião do seu falecimento a família vendeu para diversos sebos a sua biblioteca, e foi assim que o livro chegou até nossas mãos.

É inevitável refletirmos sobre qual teria sido o destino de negros que tenham tido o azar de serem julgados em qualquer tribunal do país por este crápula. Publicamos este comentário afim de mostrar como o preconceito e a intolerância ainda existem. Para que não restem dúvidas e para provar que essa história absurda não é uma inveção de nossas férteis mentes, colocamos as imagens das anotações feitas pelo verme. Veja, você, leitor, com os próprios olhos.

Basta clicar aqui no link abaixo para ver as fotos na publicação do texto no blog do Claudio Falcão:

http://geogordo2.blogspot.com/2009/06/racismo-preconceito-e-o-apartheid.html


Quem quiser ver o livro é só falar com ele.

Domingo, Junho 14, 2009

ISRAEL X PALESTINA - PERSPECTIVA DE PAZ?

Guerra de independência, Guerra dos seis dias, Guerra do Yom Kipur, Intifada, Nova Intifada etc. Todos esses conflitos marcaram a história do Oriente Médio nos últimos sessenta anos. Todos eles envolvendo Israel, Palestinos e países árabes aliados contra Israel. A disputa continua e o que o mundo se pergunta é: quando isso vai acabar?

Com a existência de radicais dispostos a realizar forte pressão política (e militar) dos dois lados para evitar uma solução pacífica para a questão, a perspectiva de paz parece uma miragem em meio a espessa névoa.

No entanto, uma nova liderança emerge no cenário internacional: Barack Hussein Obama, presidente dos Estados Unidos da América. E o discurso de Obama tem provocado uma movimentação mais intensa na região além de reacender a chama oscilante dos acordos de paz.

A liderança americana jamais deixou de influenciar o Oriente Médio e mais especificamente a questão palestina. A diferença é que depois das boas perspectivas de paz construidas pelo democrata Bill Clinton, o governo Bush ignorou completamente o trabalho de construção da paz no Oriente Médio.

Ao contrário, tomando por base as ações no Afeganistão e no Iraque, Bush buscou incendiar ainda mais a região. Osama bin Laden acendeu o sinal de alerta para o descaso de Bush com os retrocessos na Palestina mas o governo americano valeu-se dos ataques do terrorista, não para rever sua postura, mas para propagar a guerra e garantir o controle estratégico do petróleo iraquiano e dos oleodutos e gasodutos do Afeganistão.

Em setembro de 2000, um ano antes dos atentados de bin Laden, começava na Palestina a Nova Intifada, que derrubou por terra todos os avanços cautelosamente arquitetados em Oslo e em acordos posteriores. O Likud de Ariel Sharom assumiu o poder em Israel condenando a criação do Estado Palestino.

E qual foi a postura de Bush diante do retorno da violência? A ignorância. Bush, preocupado com os problemas econômicos internos, travou um combate severo à imigração ilegal ampliando a xenofobia, refutou as chances americanas de participação no Protocolo de Kioto e resolveu não se preocupar em exercer sua prerrogativa de lider mundial para amenizar o conflito que ressurgia.

Então, um ano depois, bin Laden promove os atentados de 11 de setembro de 2001 e deixa em sua mensagem a revolta contra a postura do governo americano que permitiu o retorno da violência na Palestina.

Bush manteve sua coerência durante os oito anos de governo. Foi permissivo com a situação na Palestina e ainda se engajou em duas guerras com participação direta do seu exército. Só agora, com o democrata Barack Obama no poder, é que as discussões sobre a paz na Palestina encontram terreno um pouco mais fértil.

Obama propôs a negociação entre israelenses e palestinos para a criação de um Estado Palestino. Em sua proposta ele pede que Israel interrompa a expansão dos assentamentos judáicos. Para Obama esse é um ponto fundamental.

A agência reuters divulgou hoje que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aceitou a proposta de criação de um Estado Palestino desde que ele seja desmilitarizado e que os palestinos reconheçam Israel enquanto Estado judáico. E refutou a possibilidade de interrupção da expansão dos assentamentos judáicos.

"Se recebermos essa garantia de desmilitarização e os arranjos de segurança exigidos por Israel, e se os palestinos reconhecerem Israel como nação do povo judaico, estaremos preparados para um acordo de paz real e para alcançar uma solução que inclua um Estado palestino desmilitarizado ao lado do Estado judaico", disse o primeiro ministro de Israel.

Encaminhadas as discussões até esse mais recente nível de declarações, o que eu acredito é que os palestinos devem aceitar a proposta de Israel, desde que este Estado reconheça o Estado Palestino como um Estado Muçulmano e que Israel também se desmilitarize.

Afinal, se todos os Estados no sistema mundial são inexoravelmente propensos à agressão mútua e se as forças militares são criadas com o objetivo de defender as soberanias nacionais, a proposta de Israel, no que tange a desmilitarização palestina, parece uma lamentável tentativa de acentuar a desequilíbrio de forças que já existe na região.

Sexta-feira, Junho 12, 2009

BLOG DO FILIPE COUTO

Entre tantos prazeres da minha profissão de docente, um deles é trabalhar com outros profissionais de altíssimo nível. Tenho o privilégio de ter muitos profissionais excelentes trabalhando comigo na mesma equipe de professores. Alguns são meus amigos pessoais, gente por quem tenho grande estima. E entre eles alguns aderiram também à blogosfera.

Para os frequentadores mais assíduos desse espaço, Luiz Antônio Simas dispensa apresentações. É um estupendo professor de História, e autor de grandes textos publicados no indispensável Histórias do Brasil.

Meu querido Claudio Falcão, professor maiúsculo de Geografia, coordenador da equipe da qual hoje me orgulho de pertencer, é um mestre, um guru. E também publica seus textos (faz tempo que ele não escreve nada, desde que assumiu a coordenação da equipe) no seu Geogordo 2.

Faz poucos dias que divulguei aqui o Blog do Rui, escrito por esse outro mestre por quem tenho grande estima, que promete bons textos quinzenalmente.

Hoje escrevo para divulgar o blog do Filipe Couto, o melhor professor de língua portuguesa que eu conheço, e que também foi responsável pelos meus primeiros passos nas salas de aula, pelo que serei eternamente grato.

Filipe há tempos já pertencia à blogosfera onde mostrava sua feição artística com poemas de alto padrão de qualidade no blog As Outras Palavras. Agora ele nos presenteia com seus excelentes escritos onde apresenta suas ideias, sua visão sobre o mundo contemporãneo, sobre nossa sociedade, sobre a política e as problemáticas que nos cercam.

O blog chama-se As Primeiras Palavras, é recente e tem poucos textos publicados. Recomendo efusivamente a leitura de todos eles. Leiam tudo, queridos. Leiam tudo. E acompanhem as atualizações por vir. Garanto que vale muito.

Destaco o texto recém publicado sobre o alarde feito pela "imprensazona" - o termo é dele - com a criação de um blog para divulgação de informações pela Petrobras. José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, que é usuário do Twitter, leu e qualificou o texto como "sereno e ponderado".

Eu qualifico como fundamental.

Os links para todos os blogs citados aqui estão na coluna da direita. O do Filipe eu deixo aqui nesse texto também.

http://asprimeiraspalavras.blogspot.com/

Abraços!