sábado, fevereiro 10, 2007

HORA DE LEMBRAR II

Lembro-me hoje de Assis Valente e Durval Maia. A Alegria é o sentimento predominante nos tempos de carnaval e vejo nesse samba, que trago abaixo, uma bem dosada descrição
do que é esse festejo que se aproxima.

ALEGRIA (Assis Valente e Durval Maia)

"Alegria pra cantar a batucada
As morenas vão sambar
Quem samba tem alegria

Minha gente
Era triste, amargurada
Inventou a batucada
Pra deixar de padecer

Salve o prazer, salve o prazer

Da tristeza não quero saber
A tristeza me faz padecer
Vou deixar a cruel nostalgia
Vou fazer a batucada
De noite e de dia, vou cantar

Esperando a felicidade
Para ver se eu vou melhorar
Vou cantando, fingindo alegria
Para a humanidade
Não me ver chorar"

É isso aí rapaziada! Salve o Prazer!!!
Um abraço solidário!

6 comentários:

milena disse...

É, nada como o carnaval!!!
Época da alegria,
época do amor
época do que é belo,
época que os cariocas mostram o que é samba!!!
Carnaval é arte, é culturaaa!!! AHHHHH O CARNAVAL!!!

ahsaishsisuhu

Adorei o sambaa!!
"shoooow" rsrsrsr
Bjoooo

Luiz Antonio Simas disse...

Diego, bela volta. Engraçado, eu sou da opinião, compartilhada com o Szegeri, de que o carnaval não é uma festa dos alegres, mas sim dos tristes. Explico.
O carnaval é um período marcado pelo símbolo da máscara, onde se inaugura a idéia de esquecimento do que efetivamente somos. Desde os primórdios da festa, a função social do carnaval é promover a inversão dos valores do cotidiano. O homem veste-se de mulher, o careta toma porres homéricos e por aí vai. O carnaval é o tempo do esquecimento necessário.
É por isso que me incomoda essa história de horário marcado para blocos, guias de carnaval , etc...Essa é a época de nos perdermos, sairmos de casa sem destino, seguirmos o primeiro bloco, voltarmos, sabe como, sem dinheiro no bolso.
O que está presente no carnaval é, antes de tudo, a pulsão de morte. Matamos o que somos o resto do ano, repletos de horários, compromissos, burocracias e por aí vai.
O lugar dos alegres é o camarote da cervejaria, a feijoada do Amaral e outras merdas do gênero. O grande folião, tenha certeza disso, é um triste.
Abraço

Luiz Antonio Simas disse...

Aliás, a letra do samba que você colocou, repare bem, concorda com tudo que eu disse. É, ao contrário do que aparenta, uma declaração de um triste:
"Vou cantando fingindo alegria
pra humanidade não me ver chorar..."
Esse é o triste, o verdadeiro folião.

Diego Moreira disse...

Malandro, achei perfeita a tua explanação sobre o sentimento do Carnaval. Mais uma vez estás coberto por espesso manto de razão.

A gente triste e amargurada que inventou a batucada pra deixar de padecer, não deixa de ser triste no festejo, apenas esconde a tristeza com uma máscara de alegria.

Então, quando digo que a alegria é o sentimento predominante no carnaval, é no sentido mais carnavalesco possível, ou seja, a alegria forjada, às vezes desesperada, dos foliões.

Mas confesso. Não seria capaz de escrever uma ode ao folião, mais profunda que esta feita por você aqui.

Uma beleza!! Uma beleza!!

Diego Ribeiro disse...

A alegria é fruto da tristeza, evidente, e sem tristeza não há beleza. A beleza não está na própria alegria em si, mas na tristeza que a precedeu. Está ela presente na imperfeição, na esperança, na luta para sempre se aprimorar, e necessário é tentar sempre levar a vida com a leveza proporcionalmente oposta ao peso que nos é imposto.
O carnaval é o momento mais propício para tal, como poderia discordar do mestre. O triste se veste de alegria, e o peso do mundo se resume à nada, o mundo é dele, é ele. É uma data que representa uma forma menos dura de seguir na estrada.
"Mas depois da ilusão, coitado..."
Por isso, não se deve ser rei só na folia, mas fazer de sua Maria uma rainha todos os dias. E quem sabe cantar um samba na universidade...

Viva o Carnaval! Viva o Samba! Viva a Alegria!
Abraços.

Diego Moreira disse...

"Carnaval, doce ilusão!"