quinta-feira, abril 21, 2011

HISTÓRIA DAS RUAS SUBURBANAS: ESTRADA ADHEMAR BEBIANO

A escolha da antiga Estrada Velha da Pavuna para a primeira postagem sobre os nomes das ruas do subúrbio explica-se simplesmente: foi nela que vivi por 22 anos antes de mudar-me para a Tijuca; e é nela que vivo agora, novamente.

A estrada nasce no cruzamento com a Avenida Suburbana (atual Dom Hélder Câmara). Cruza Del Castilho, Higienópolis, Inhaúma e termina no Engenho da Rainha, bem nos limites com Thomáz Coelho, onde se encontra com a Automóvel Clube, atual Pastor Martin Luther King Jr. Qualquer dia eu falo dessa guerra religiosa que andou mudando tantos nomes de avenidas por aqui.

A estrada é marcada pela presença de fábricas como a da Plus Vita, do grupo mexicano Bimbo; pelo prédio da 12ª Região Administrativa da cidade, e por vários conjuntos habitacionais.

Entre esses conjuntos habitacionais destacam-se o Conjunto IV Centenário; o Conjunto dos Músicos, onde viveram vários músicos de grande fama; e o Parque Residencial Estrada Velha (PREV), com quase mil apartamentos e mais de três mil moradores.

A antiga Estrada Velha da Pavuna era uma das principais vias que cortavam a Freguesia de São Tiago de Inhaúma, desmembrada da Freguesia de Irajá em 1743. A Igreja de São Tiago Maior encontra-se na praça 24 de Outubro, de frente para a Adhemar Bebiano, e foi erguida em 1745.

A casa antiga que se vê na foto a seguir, de Reinaldo Silva (1968), é um típico chalé suburbano construído no início do século XX e pertenceu à Viscondessa de Embaré. Atualmente está cercada de casas populares em uma área conhecida como "as casinhas", inserida no contexto espacial do complexo do alemão.



Mas quem foi Adhemar Bebiano?

Adhemar Alves Bebiano, cidadão que dá seu nome para a antiga Estrada Velha da Pavuna, era filho de Domingos Alves Bebiano, português nascido em 1849, na localidade de Castanheira de Pera, e neto de António Alves Bebiano, Visconde de Castanheira de Pera. O pai de Adhemar veio de Portugal e estabeleceu-se em 1864 nas Minas Gerais, de onde seguiu para o Rio de Janeiro em 1880.



Na capital fluminense, então capital do país, Domingos Alves Bebiano tornou-se presidente da Companhia América Fabril, cuja estrutura empresarial incluía a fábrica onde atualmente se estabelece o Shopping Nova América. Durante muitos anos a fábrica pertenceu à família Bebiano, que empregou milhares de moradores da região, motivo da homenagem com a mudança do nome da Estrada.

Adhemar Bebiano, além de ligado à Fábrica Nova América, também foi presidente do clube Botafogo Futebol e Regatas entre 1944 e 1947.

P.S.: Eu, em notável esquecimento, deixei de recorrer no início dessa série, ao autor mais que fundamental quando assunto é a história das ruas do Rio de Janeiro. Falo de Brasil Gérson. Busquei seus escritos sobre a antiga Estrada Velha da Pavuna e confirmei o que os moradores antigos da minha área sempre diziam.

Brasil Gérson, em seu livro História das Ruas do Rio (5ª edição, pp. 366-367, Lacerda Ed, Rio de Janeiro, 2000) nos conta que a abertura da Estrada Velha da Pavuna se insere no contexto dos caminhos abertos pelos jesuítas para o Sertão Carioca. Ele escreve o seguinte:

"Esses caminhos tiveram um ponto de partida em comum que foi a cancela dos Jesuítas em S. Cristóvão, o popularíssimo Largo da Cancela inexplicavelmente convertido em Praça Vicente Neiva, e o primeiro deles, aberto pela Sociedade de Jesus em busca de sua sesmaria em Santa Cruz, se transformaria na Estrada Real de santa Cruz, e dela saíram dois afluentes principais, a Estrada da Penha (com seu início nas alturas da atual estação Vieira da Fazenda, na Linha Auxiliar) e a da Pavuna, nas de Maria da Graça de hoje, esta a seguir transformada em duas, a Velha e a Nova, ao abrir-se uma segunda com o mesmo objetivo na Venda dos Pilares, para que ambas se juntassem adiante no Engenho do Mato.

Eles tinham por finalidade maior a ligação direta do sertão com a cidade, porque ao mesmo tempo outros surgiram para que do sertão os seus moradores viessem à cidade com a ajuda do mar, ou, por outra, graças aos portos do que nesses antanhos se denominava o Recôncavo carioca, entre Meriti e Inhaúma, e eles eram, entre outros menores, o Caminho de Itaoca, que no Bonsucesso de hoje se prolongava até as praias de Inhaúma, Apicu e Maria Angu através dele mesmo e dos caminhos ou estradas dos Manguinhos, de Inhaúma, e do Engenho da Pedra (que depois seriam duas, a Nova e a Velha do mesmo Engenho) e a de Maria Angu (que vinha da Penha como prolongamento da Brás de Pina e da Vicente de Carvalho) e a do Porto Velho de Irajá, de certo modo um prolongamento da do Quitungo."

Uma beleza de história, não é? Era isso que eu queria dizer. Abraços!

6 comentários:

Braulio disse...

Muito bom! Estou viajando aqui rssrs

Anônimo disse...

eu passei pela vida desse homem tio Adhemar

Vera Dias disse...

Excelente.

Anônimo disse...

que lei alterou o nome da rua de estrada velha da Pavuna para estrada Adhemar Bibiano?

Anônimo disse...

Adoro esses tipos de leitura,que nos informam como surgiram os bairros.E pensar que toda a orla poderia ser praia que beleza!

Anônimo disse...

Adorei o texto!