A Copa de 1994 é a mais antiga da qual guardo grandes lembranças vivas.
Da disputa de 1990, me lembro de poucas coisas: que o técnico era o Lazaroni, que o Brasil ganhou da Escócia de 2x1 e, no segundo gol, meu pai quebrou o teto de gesso do playground onde assistíamos o jogo, que o Brasil perdeu pra Argentina e que eu assisti a semifinal entre Itália e Argentina no saguão de espera da gravação do Show da Xuxa, na Lineu de Paula Machado, no Jardim Botânico. Sim, eu fui, várias vezes, ao Show da Xuxa.
Da disputa de 1986 eu não lembro de nada: só lembro que a copa foi no México, que tinha o Laranjito e que ela foi tema do meu aniversário de 4 anos. A foto abaixo comprova o tema da festa. Eu sou o garoto magrelo, acompanhado de minha irmã, Larissa.
E da Copa de 1982 eu não lembro de absolutamente nada mesmo. Também pudera: durante a partida em que o Brasil perdia para a Itália, mamãe, pra não ver aquela tragédia, me dava um dos primeiros banhos da vida. Era, eu, um recém-nascido.
Eis, portanto, as razões para eu me lembrar melhor apenas da copa de 1994. Quem viu e viveu as emoções das copas anteriores, pode achar que a copa de 1994 foi um tanto sem graça. Para mim não.
A primeira fase foi tranquila, com exceção do jogo contra a Suécia, que foi mais apertado. Nas oitavas, um jogo duro contra os Estados Unidos, os donos da casa. Assisti o jogo em Brás de Pina, na esquina da Avenida Arapogi com a Francisco Enes, onde morava o meu saudoso tio Luiz Carlos. Tomava os meus primeiros copos de cerveja, mas era só um pouquinho.
O jogo contra a Holanda eu assisti em Vista Alegre, na vila Pureza, onde morava o meu amigo Daniel Simões. Antes do jogo, a gente batia uma bola no quintal e eu quebrei o meu dedo anelar da mão direita. Recusei-me a ir ao hospital antes do jogo, duríssimo, que o Brasil ganhou por 3x2 com um gol de falta do Branco. Bergkamp aterrorizou o Brasil com jogadas perigosíssimas e fez um dos gols da Holanda.
A semifinal com a Suécia também foi dura e o Brasil ganhou com um mirrado 1x0, gol feito aos 35 do segundo tempo pelo Romário, de cabeça, no meio da zaga sueca que parecia ser composta por bonecões de olinda, nórdicos.
A final... Ah, a final. Minha avó Maria, quase oitenta anos, que acompanhou o Brasil desde menina em todas as copas, desde 1930, quase morreu naquele 17 de julho de 1994. Assistiu o jogo em casa, acompanhada do meu velho avô Zequinha, que nunca foi muito ligado em futebol mas era torcedor do São Cristóvão.
A bola chorou pra entrar. Só balançou o barbante nos pênaltis. Durante a partida, só pelo lado de fora, tendo beijado a trave algumas vezes. Minha mãe nunca assiste disputas de pênaltis. Foi pra janela, como sempre faz, quando elas começaram. Seu termômetro é o grito dos vizinhos. E aqui no Engenho da Rainha, de onde escrevo temporariamente, o som oscilava entre os gritos e o silêncio.
O vídeo a seguir é meio patético, pela narração do Galvão Bueno (sempre patético) e pelo tema da vitória (uma homenagem ao falecido Ayrton Senna). Mas serve pra lembrar da farra que o Brasil fez, 15 anos atrás.
http://www.youtube.com/watch?v=UAMMY7wYLvU
Veja! Até!