sábado, outubro 25, 2008

UM GRANDE DIA

A última quinta-feira teria sido um dia absolutamente normal se não fossem os ocorridos que pipocaram a partir do início da noite. Havia semanas que eu tinha comprado um caderno do Le Monde Diplomatique Brasil e até então não tinha lido uma página sequer. Naquele fim de tarde, enfim, eu lia algumas coisas sobre a América Latina e sobre a crise financeira atual.

Por volta das 19 horas peguei meu telefone celular e vi várias ligações perdidas, dentre elas uma do Nando e uma do Zé Eduardo. Liguei pro Nando.

- Alô? - ele atendeu.

- Fala, meu irmão, como é que você tá?

- Fala, cara! Beleza!

- E aí, meu velho, você me ligou?

- Pô... é, cara. Te liguei pra saber como é que você tá.


Se há uma coisa que me comove é receber o telefonema de um amigo que liga só pra saber como é que eu estou. Conversamos, em pouco tempo, sobre várias coisas, trabalho, família e ficamos de marcar um almoço pra botar o papo em dia e pra ter o prazer de desfrutar da companhia amiga. Desligamos

E toca o telefone de casa.

- Alô?

- Diego?

- Fala, Zé!

- Já sabe onde vai ver o jogo?

- Não! Estou nervosíssimo com isso!

- Então você vai ver comigo!

- Onde?

- No Maraca, num camarote que eu consegui pra gente.

- Caralho, é
mermo? - raramente eu falo mesmo.

- Te encontro daqui a pouco no prédio do meu irmão. Ele vai com a gente.

- Beleza. A gente se fala.


E fui. Nos encontramos e andamos até o estádio. Caminhava em direção ao guichê para retirar as credenciais quando ouvi meu nome.

- Diego!

Era o Rodrigo Ferrari, o Digão da Livraria Folha Seca, que estava por ali com o chef Santos, do Botequim Casual para encontrar um amigo e assistir a partida. Trocamos um abraço fraternal e nos falamos rapidamente, porque já ia começar o jogo. E que jogo.

Entramos. Tudo liberado no camarote 27. Comes e bebes pra lá e pra cá, e a pelota rolou. Não pretendo fazer nenhum jornalismo esportivo aqui. O jogo foi bom pra caralho. Ponto. Ganhamos de dois a zero no primeiro tempo e de três a zero no segundo. Quando o placar ainda marcava quatro a zero, a torcida gritava olé até para as bolas recuadas para o goleiro. E pedia:

- Mais um! Mais um! Mais um!

Eu não acreditava no que via. O Coritiba, que não é um time-merda nem de longe, estava totalmente anulado pelo Flamengo. Não fez nada. E o rubro-negro arrumou um pênalti no final, que foi (bem) batido pelo goleiro Bruno. Pra fechar o paletó de madeira do time paranaense e sepultá-lo no solo do Maracanã. E aquela noite esplêndida transformou um dia comum e sem graça num grande dia.

4 comentários:

gabriel disse...

fala diego!
queria saber se você vai mesmo escrever um desses seus textos,que na verdade são otimas aulas,sobre o Rio de Janeiro,matéria do segundo ano.Sei que já havia perguntado isso para você no colegio outro dia,mas é que já recebemos o calendario de provas e não estou me sentindo confiante com essa parte da materia...De qualquer maneira obrigado pela atençao aí.Quanto ao futebol...sou mais o meu FOGÃO!!Mesmo com essa "crise" de salarios atrasados estamos no páreo ainda para a libertadores e na torcida de continuar na Sul-americana,mas como bom apreciador do futebol,parabéns pela vitoria no curitiba,que como você disse nao é um time-merda.
Abração,
Gabriel Pesce

Diego Moreira disse...

Fala, meu garoto! Ainda não deu pra escrever alhuma coisa específica sobre o Rio de Janeiro nesse formato de aula por aqui nem por lá (o outro blog). Mas faz um tempo que eu escrevi isso aqui: http://geografiassuburbanas.blogspot.com/2008/03/o-subrbio-meu-esteio.html

Nesse texto tem algumas coisas sobre a expansão urbana da cidade. Dá pra tirar algum proveito mesmo sendo um texto muito mais emocional do que técnico.

O Subúrbio é meu esteio. Você pode ler clicando no link ao lado, na coluna da direita.

Abraços!

MAGAL disse...

Grande brother, Diego!!
Saudades de vcs!! Teu blog é impagável com suas tiradas de mestre e textos que traduzem o que qualquer um de nós pensaria.
Um beijo grande pra vcs e fique na Paz, irmão!
Alan Lintz

Diego Moreira disse...

Meu irmão, sinto uma saudade imunda da sua pessoa. Vou te ligar pra marcar alguma coisa. Beijo para minha cunhada e minha sobrinha.

Abraços!